Ratos e pombos estão tomando lugar de outras espécies por causa da ação humana – 05/12/2018 – Ciência

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O uso da terra para a agricultura e a construção de cidades está favorecendo as mesmas espécies em todos os lugares. É o que mostra uma nova pesquisa publicada na revista científica Plos Biology.

Animais como ratos e pombos estão tomando o lugar de outros, como os tigres, que podem sobreviver apenas em certos habitats.

Os pesquisadores analisaram 20 mil animais e plantas em 81 países.

E descobriram que as espécies mais comuns da fauna e flora tendem a aumentar em lugares modificados pelo homem —sejam plantações florestais, terras agrícolas, pastagens e ambientes urbanos.

No entanto, as espécies geograficamente raras acabam sendo afetadas negativamente.

“Mostramos em todo o mundo que quando os humanos modificam habitats, essas espécies únicas são consistentemente perdidas e substituídas por espécies encontradas em todos os lugares, como pombos em cidades e ratos em áreas agrícolas”, disse Tim Newbold, pesquisador da University College London (UCL), no Reino Unido.

Um dos autores, o pesquisador Andy Purvis, do Museu de História Natural de Londres, comparou as mudanças na biodiversidade com o que está acontecendo nas avenidas comerciais do Reino Unido.

“Como os pequenos varejistas independentes estão fechando as portas, as grandes redes estão tomando conta”, disse ele.

“Isso faz todas as cidades parecerem iguais, e é mais difícil dizer onde você está. Da mesma forma, as pessoas estão afetando a natureza em todos os lugares que vão, e em toda parte há espécies locais que estão lutando para sobreviver.”

As descobertas do estudo são importantes para os esforços de conservação da fauna e da flora porque espécies que vivem apenas em pequenas áreas já correm normalmente um risco maior de extinção do que espécies que se adaptaram para viver em todo o mundo.

Pesquisas anteriores mostraram que animais e plantas geograficamente raros também apresentam papéis distintos e importantes dentro do ecossistema, e podem ser vitais para a nossa segurança alimentar.